
Eu, se fosse o Adriano, esqueceria o futebol. Iria viver.
Sem pressões. Sem medo de ouvir sobre o que eu era ou o que poderia ter sido.
Se eu fosse o Adriano, eu continuaria sendo o Adriano. Mas, para que isso fosse possível, ouviria a mim mesmo. E a quem gosta de mim.
Daria um tempo em casa. Veria filmes. Soltaria pipa. Jogaria videogame. Tomaria um antidepressivo e pegaria minha bicicleta. E rodaria o bairro ouvindo minhas músicas favoritas.
Pararia na padaria e compraria Coca Zero. Cerveja só de vez em quando. Ligaria para os amigos, combinaria um churrasco. Sorriria. Ser o que querem que eu seja? Ser o que parece ser bonito, o que me faz ser "alguém"?
De que vale ser "alguém", se esse não significa nada para você. De que vale ser "alguém" se você não se enxerga nele?
Eu, se fosse o Adriano, ficaria no Rio. Ficaria onde ele se sente bem. Buscaria deixar a cabeça em paz. Depois, voltaria a caminhar, com passos mais certos, mais firmes. Tranquilos e verdadeiros.
Reconhecimento público? Não, não...
Há algo melhor do que se olhar no espelho e se reconhecer, vendo que, apesar das pressões da vida, você ainda é você?
Dá-lhe Adriano.