segunda-feira, 29 de junho de 2009

Karany Karanuê


Na noite do último sábado peguei um táxi para a Lapa. Minutos antes quase presenciei um sequestro. Pouco à frente de onde estava esperando algum motorista, "alguém a" roubou o carro de "alguém b" com "alguém b" dentro do veículo. Não sei o desfecho da história.

Ao contar sobre o ocorrido para o taxista, veio logo a pedrada:

"Para mim esses caras nem têm que ser presos. Tem é que matar", disse.

"Hitler dirige meu táxi", pensei.

Rapidamente a conversa tomou outro rumo. Um rumo familiar a mim, membro de uma família com várias restrições à Globo em função de sua exagerada influência nos campos político e cultural brasileiro. Segundo a gente.

Minha família possui membros radicais nesse sentido. Creio que eu seja um deles. Mas de uma forma saudável levamos essa nossa fundamentada implicância adiante. E viva Brizola!

Já o taxista estava alguns passos à nossa frente no quesito "paranóia global". Era um fundamentalista.

"A Globo vence qualquer ação na justiça. E ela destruiu a vida da minha tia", disse.

O taxista explicou: sua tia, a compositora Diana Camargo, co-autora da música "Karany Karanuê", foi, segundo ele, claramente roubada no VI Festival Internacional da Canção, realizado em 71. A canção, interpretada pelo Trio Ternura, teria tido votos favoráveis entrando na conta da música vencedora, "Kyrie", dos compositores Paulinho Soares e Marcelo Silva e também cantada pelo Trio Ternura. De fato, palavras estranhas com a letra K e o Trio Ternura eram a sensação do momento e não devem ter do que reclamar da competição.

"Minha tia viu o roubo de votos! Roubaram na frente dela", disse o taxista, da forma paranóica que conhecemos bem quando o assunto é perda e Globo. "Era muito boa a música. Karanyyyy... karanuêêêêêê...", cantarolou. "A música era o lado A do compacto que ela lançou. O lado B era outra ótima música: 'Sarany Saranuê'. 'Saranyyyyyy... saranuêêêêê', cantou. Gargalhei por dentro. Essa similaridade entre os títulos... Pensei em falta de criatividade ou demência. No passado ou no presente.

"Engraçado os nomes parecidos, não?", perguntei.

Acho que ele não respondeu.

"O senhor sabe o que significam essas palavras", perguntei também.

"Não", disse ele, de forma seca.

"Minha tia processou a Globo", continuou, "mas não conseguiu nada. Tava todo mundo comprado. Depois ela descobriu que o próprio advogado dela trabalhava para a Globo. E a Globo também mandou recolher todos os discos dela nas lojas", falou o sobrinho.

"Mas como? O que a Globo alegou para conseguir tirar os discos dela das lojas?", perguntei, ao mesmo tempo em que jogava lenha na fogueira. "Essa Globo é foda mesmo...".

"Não sei como, mas tirou. Vou te dizer... Minha tia tinha condição, tinha recurso, mas por causa disso, morreu na miséria", acrescentou o taxista cujo nome nem consegui ler.

"É fogo a Justiça... Advogados, juízes... É todo mundo corrompido mesmo. Todos têm um preço", afirmei, emendando algo que poderia fazê-lo ficar feliz ou revoltado de vez.

"Um dos meus maiores ídolos era um dos principais opositores, senão o principal opositor da Globo", e pronunciei o nome de Leonel Brizola.

"É, o Brizola fez muita coisa boa", me surpreendeu o motorista. "Fez os CIEPS, ajeitou a Avenida Brasil... Mas proibiu que a polícia entrasse na favela! Por isso que a violência está do jeito que tá. O morro tá descendo e eu nem quero saber. Pra mim, não tem isso de prender: tem é que matar todo mundo", concluiu ele, encerrando a conversa paranoico-lamento-saudosista com uma volta ao ponto inicial, bem fascista.

* * * * *

Saltei na Lapa. Festa junina de rua. Um garoto parece ter um ataque epilético perto da nossa mesa. "Isso aí é fingimento. Agora há pouco ele caiu e, quando fomos ajudar, ele levantou rindo", disse um festeiro, ignorando carasterísticas comuns aos curto-circuitos cerebrais.

Muita gente em volta do garoto, que nem sei se era garoto mesmo. Polícia, fotos, massagem cardíaca ou segurar de língua. Pouco depois tudo estava normal, com o garoto que talvez não fosse garoto comendo uma maçã do amor na barraca ao lado ou dormindo para sempre dentro de um rabecão.

As cervejas seguiram dando o tom da noite, que se tornaria chuvosa mais tarde. O celular, molhado, falava por meio de códigos:

"43334444444333444###343434333344443434333" era tudo o que ele podia pronunciar, insistentemente, com algumas variações.

"Karany Karanuê", pensei.

"Sarany Saranuê", completei.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

MJ





Acho errada essa morte
E que a beleza tenho sido resultado de dor
O tempo disfarça, engana, ajuda
Mas não faz o espinho se transformar em flor

Que o tormento dê lugar a alguma paz
E que a alegria dessa vez venha pra ficar
Quando o corpo pede que não continue
É então a hora de começar a brilhar

terça-feira, 23 de junho de 2009

Um conto sobra nada

Olá.

Poderia contar algo sobre longos caminhos.
Encontros.
E mudanças sutis na rotação terreste.

Mas não.

Conto sobre nada.
Um conto sobre nada.

Sobra nada.

Só buracos.
Que podem ser reabertos.

Basta querer.

Ou esquecer.

Um conto sobre nada acontece.
E acontece de eu não querer mais nenhum controle.

Que os rios de vida ou doença sigam vias próprias.

Sem culpa.

Sem dor.

Já que há uns oito anos descobri que não sou Deus.


sábado, 20 de junho de 2009

Um Tipo de Laura Dern





















Metrô: o coroa se apresentou
E viajou conversando com um tipo de Laura Dern

Quando ela saltou
No Estácio
Nem um novo aperto de mãos impediu que o coração dele
Se quebrasse bem na minha frente

Durante a conversa
Galã
Colete e postura
Depois
Sua coluna parecia um ponto de interrogação

Então deixou-se escorregar pelo banco
Entregue
Sem um grama de alegria e esperança naquela noite

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Funk Mixtape contra toda e qualquer frustração


Motivado pelo quase total desconforto sentido no último sábado, quando eu, minha mulher, irmão, cunhada, primo, prima e respectivos amores fomos ao Circo Voador. A festa: "Eu Amo Baile Funk".

Menti. Fui hipócrita. Eu não amo o baile. Amo o som. Mas acabo caindo naquele papo velho, de quem gosta da versão "teia de aranha" do estilo... Achei que seria uma noite de bases velhas, de coisa boa. Mas não rolou. Defendo o som feito atualmente no Brasil como legítima forma de expressão cultural popular. Quem mete o pau deveria comer discos do Tom Jobim no café da manhã. Mastigar vinil, entende? Mas o fato é que, em meio a tanto funk feito no Brasil (é o samba do futuro: é da galera e brota em todo lugar), tem muita coisa boa e muita boa porcaria. Destaque para os oportunistas ricos jovens ultrabrancos de São Paulo e Curitiba, todos de olho no mercado internacional. Funk pra turista, feito por gente que nem sabe quem é Steve B. Mas voltando ao "Eu Amo Baile Funk" do último sábado, mesmo (felizmente) não abrindo espaço para os Bonde do Rolê da vida (aí seria o fim dos tempos), só merda foi tocada.

E com DJs que tinham compromisso maior com repetir seus nomes repetidos do que tocar coisa boa, eu não sei o que acontecia, mas a batida - que é o coração do acontecimento - parava toda hora. Cansativo. E aí vinham aquelas convocações de torcida de futebol, aquelas músicas dedicadas a celebração de cornos, gays, carecas, pessoas de camisa verde, amizades com moças de vida fácil... Parecia uma festa infantil, mas com cerveja. Dê cerveja e malícia a crianças que elas fazem exatamente aquilo.

Malícia que dá origem às visões do inferno. Homens dançando e rebolando como mulheres bundudas e usando isso - acreditem - como eficiente instrumento de atração de exemplares do sexo oposto. E as mulheres, ao atenderem ao chamado, dançavam como quem copulava. Cara, é legal ver tal cena se a moça é visualmente interessante, mas acontece que o "Circo" se torna palco de todo tipo bizarro de exibição-sexual-dançante-com-dedinho-na-boca, e executada por todo tipo de gente. Algumas mulheres pareciam ter oito quilos, e oito quilos, mesmo em movimento, não excitam. Outras já passavam da idade e seguiam com o mesmo bailado. E era tudo playboy e playgirl ali. Todo mundo. O preço era alto (não para a gente: valeu, Cristian!). Mas não é isso. O estranho não são os biotipos e nem a sexualidade/sensualidade obrigatória, quase mambembe, quase National Geographic. Era o som. O som era ruim.

Quem tava ali, musicalmente falando, só tinha memória ou idade ou sei lá o que para se recordar do funk feito a partir de 94, ano em que funk era coisa de Xuxa. Então quando o DJ pensava em "som sinistro, do passado, clássico das profundezas abissais do oceano do funk", não pensava em "Chain Gang", mas em "Dança da Cabeça". Aí não dá.

Então resolvi fazer uma mixtape para exorcizar esses maus pensamentos/sentimentos e frustração biomusical. Só parada do mal. Se você baixar, será feliz e dançará até seus pés e alma sangrarem na sala de estar, na festa, ou deitado, de olho fechado, sem necessariamente mexer sequer a cabeça toda hora sem parar/para cá e para lá.

Funk Mixtape - M. Funk
por Marcio Teixeira de Mello

01. Ose' - Computer Funk
02. J.J. Fad - Supersonic
03. U Gents - Chain Gang
04. MC A.D.E. - How Much Can Take
05. Freestyle - It's Automatic
06. Bass Patrol - Faking No Movies
07. Salt'n'Pepa - Push It
08. Disco Rick & The Dogs - Your Mamma's On Crack Rock
09. Bardeux - Bleeding Heart
10. Shavonne - So Tell Me, Tell Me
11. Trinere - I'll Be All You Ever Need

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Persemonições Extintagu(i)avoa


Persemonições Extintagu(i)voa
Marcio Teixeira de Mello


Árvores
Nascendo sobre árvores
Que nascem sobre árvores
E ela faz a curva
Que dará na abertura
Do olho vivo em dois

Sobrevoando pirâmides
Fuja das perseguições
Do seu jeito
E das premonições
Tão certas e tão claras
E do claro efeito

Brotando do chão
Não de dissipe
Talvez se mortifique
Pra que se prontifique
E aceite o que vem

Pois nenhuma
Ligação fora de hora
Fará de quem não chora
Alguém fraco e menor

Não se molhará
Em águas que estão secas por dentro
Não se extinguirá
Pois isso de extinção é tolo e sempre vai com o vento

terça-feira, 9 de junho de 2009

Dê a Mão

Letra: Marcio Teixeira de Mello

Dê sua mão ao diabo se quiser conhecer o bem
Conte os meses aos amigos, descarrilhando o trem
Quanta gente nessa rua, desse lado da minha casa
Minha mão nesse vazio quente que não para

No passo transparente passo a febre que ninguém me deu
E quem é você depois de mim?
Dê comida ao seu mundo
Longe, frio e quase ruim
Mas você não sabe imaginar

Querer ou perder
E se despedaçar
Revele o chão desse lugar

Pois a calma, o tempo e a lembrança eu já sei
Dê a mão ao diabo na rua
Eu dei

Dê a mão ao diabo se quiser conhecê-lo bem
Conte os meses aos amigos, descarrilhando o trem
Quanta gente nessa rua, desse lado da minha casa
Minha mão nesse vazio quente que não para


sexta-feira, 5 de junho de 2009

Curiosidade Mórbida Subaquática

"Curiosidade mórbida" é o tema de todos os jornais brasileiros nesses últimos dias.
Não que o avião, do ar, agora no fundo do mar, não seja um tema digno de atrair o ser humano.
Mas assim, desse jeito, é monótono.

Quando estou na estrada e passo por um acidente, sei que é um acidente.
Não preciso esticar o pescoço para tentar ver pedaços de ferro e de gente.

Os jornais, nesse momento, são esses pescocinhos esticados olhando pela janela do ônibus.

Pelo menos não estão deseperados buscando culpados...
Mas é que o acidente não é "doméstico"...
Se fosse, já teríamos trocado a lamentação pela caça às bruxas, elegendo novos PCs Farias e Edmundos aéreos-subaquáticos.


quarta-feira, 3 de junho de 2009

A Cor Que Você Vê

Letra: Marcio Teixeira de Mello

Desculpe pelo ataque-surpresa
Pela irracional natureza
Que insiste
Em dominar

Desculpe pelo atraso na hora exata
Pela falha de conexão

Eu tentei olhar mas esqueci
Qual é a cor que você vê

E eu tentei falar mais alto
Bem mais alto que você

segunda-feira, 1 de junho de 2009

O Sumiço do Som (ou Eu Acho Que Sei Como é Sofrer um Acidente de Avião)

De tanto sonhar com isso, acho que sei o que acontece ou como me comporto.

Não. Na verdade, acho que não me comporto.

Independente das sensações pré-fim, a idéia de fim óbvio não é o mais estranho. Não importa se a nave cai como se um deus a tivesse nas mãos em uma hora e, no momento seguinte, não mais, ou se ela desce como quem desce um ralo, ou como dedos soltos que deslizam pelas espirais de um caderno. O meio não importa quando o fim é certo.

O que chama mais a atenção é a massa sonora sem controle.
Louca.
Sons sólidos.
Sons que podem matar antes que a própria morte os receba de boca aberta.

São sons que formam um universo de vidas e incredulidade, que, um segundo depois, somem.

Assim.

O sumiço da vida, ou o surgir de toneladas de metal branco em meio a um oceano negro e cheio de outras formas de vida, não são o mais assustador.

O pior, é o sumiço do som.



domingo, 31 de maio de 2009

Falando por meio de outrem

Só tenho escutado Beatles e cada cara que integrava esse inexplicável grupo de pessoas.

Então acho que o vídeo de "I Am The Walrus" pode falar por mim no dia/noite/dia de hoje. Acompanhem os passos de homens-ovo, de policiais perdidos e de músicos felpudos e animalescos.

Note ainda que eu sou ele tanto quanto você é ele (e você também sou eu) e estamos todos juntos. Pense ainda em porcos, milho, jardins e em pessoas que deixam a cara crescer.

Hoje não irei falar. Deixarei que os caras falem por mim. E estarei em boas bocas.




E que Phil Spector, figura de importância absurda na história na música mundial e personage chave em grandes momentos da história dos Beatles, juntos - como em "Let It Be" - ou não - como em "All Things Must Pass", do George Harrison -, encontre alguma paz de espírito.

Tempo para isso ele terá. Afinal, 19 anos na prisão são quase 7 mil dias.

Que merda.


quinta-feira, 28 de maio de 2009

Não Quero Dizer Mais Nada

Letra: Marcio Teixeira de Mello

Vamos lá
Como assim?
Preciso mais de você do que precisa de mim

Como vai?
Vou assim...

Qual lugar?
Logo assim?
Nada pode me deter
Mas claro que pode, sim

Como vai?
Tão ruim...

Eu quero dizer que sim
Eu quero dizer, enfim
Não quero dizer mais nada
Esse mundo é uma piada

Vamos lá
Como assim?
Eu preciso que você agora precise de mim

Como vai?
Vou assim...

terça-feira, 26 de maio de 2009

Obina e a ingratidão


Não gosto da notícia da ida do Obina para o Palmeiras. A massa rubro-negra pode me defenestrar, mas acho que o baiano tinha que ter contrato vitalício com o Mengão.

Afinal, fez gols de título, gols que afastaram o Flamengo da Série B... E é um personagem que, se tivéssemos um decente departamento de marketing, poderia ser uma bela fonte de receita. Aliás, se o Flamengo tivesse psicólogos como parte real da comissão técnica, jogadores com o perfil do Obina, de grande potencial mas que precisam de apoio e incentivo, iriam render muito mais.

Agora, o cara é tratado como um cão. Somos ingratos pra cacete. Um pouco mais de respeito com quem nos deu várias alegrias seria o mínimo que se poderia pedir.

Pelo menos Obina agora será cobrado por profissionais sérios, receberá em dia...

Valeu, Obina. Seu nome, queiram ou não, já está para sempre na história do Flamengo.

E, sim, espero que, em breve, você e sua estrela voltem a brilhar por aqui.

domingo, 24 de maio de 2009

Balas no ar: eu sobro








Sonhei com Manguinhos
E pontes
E com aquele cheiro da refinaria
(o esmalte no ar agora faz tudo voltar)
E vôos
E com a polícia fuzilando todo mundo
Mas eu sobro

Sonhei com uma universidade
Escrota
Cheia de gente branca e esperta
E então alguém abria fogo
E fuzilava todo mundo
Alguém já morto, na minha frente, aceitava as balas que eram pra mim
E eu sobro

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Mesmo no pesado, no bélico, no balístico, eu sobro, e vejo alguém beber um vinho sem álcool chamado "Uva Pra Mulher".

Uva pra mulher.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Maçã

Sonhei hoje que tinha tatuado uma grande maçã ultrarealista atrás do lábio inferior. Uma maçã com a parte mordida voltada para a frente.

Acima dela, mas sem tocá-la, um boneco azul feito apenas com traços. Como o Trapinho, personagem do meu tio, o grande Wander Monteiro.

Abaixo da maçã, um texto ridículo. Algo como "Worldship Soccer Footballship". Algo que, se fizesse sentido, sairia como "Fraternidade Mundial do Futebol da Fraternidade do Futebol". Eu tinha vergonha do texto, que, aparentemente, tinha brotado ali.

Mas a tatuagem também era um sol. Acho que um sol que virou maçã.

Nas ruas, peças de carro, todas cheias de furo, se deslocavam no ar em câmera lenta. Acho que todas eram semelhantes ao que acho que é o cano de descarga "completo". Não só o cano, mas o que vem depois dele e fica sob/dentro do carro. Como um dente, que vemos a ponta, e não a raiz. Não sei. Era como se as peças estivessem dentro de uma piscina. Eu tocava algumas e as empurrava levemente para que voassem em determinadas direções. Uma, me lembro, quase acertou um mendigo sentado na rua Desembargador Isidro, na Tijuca, Rio de Janeiro. Torci para que não alcançasse e nem machucasse o cara.

Também voei. Voei como quem nada. E enquanto voava, lembrava de outros sonhos em que era perseguido por gente que, do alto dos prédios, me via voar.

Nos meus sonhos, voar sempre foi errado. Nunca ninguém apontou para mim e disse "que legal, ele voa, mãe". Querem é me abater, mas acho que não sei a razão. A psicanálise falará de liberdade versus opressão do mundo. Liberdade contra os padrões comuns e mais fáceis.

Eu digo que não sei, e sigo voando, com minha tatuagem de maçã, meu personagem azul e palavras sem sentido.

O que é muito bom.


quarta-feira, 20 de maio de 2009

The Will To Death


Então dizem por aí que John Frusciante, o cara que renasceu das cinzas para fazer a música mais fantástica do universo, estaria novamente perdido na floresta, e há três semanas. Dizem, mas não há nada confirmado. Pode ser uma superlenda que faz com que o universo dos Chili Peppers ganhe movimento em tempo de marasmo total. Mas a possibilidade gera alguma reflexão.

O fato é que Frusciante cheirava pó antes dos 15 anos. Com vinte e poucos, tamanha era sua entrega à heroína, que chegou a morar na rua e comer sopa pra mendigos. Talvez até em função da ausência de dentes. E de dinheiro, já que o cheque dos royalties ficava cada vez mais magro.

Então, chega a sobriedade. E ela fica. Composições unidas gerando quilos de discos perfeitos. Mas sobriedade apenas fica, não é. Todo mundo sabe que um viciado será sempre um viciado. Talvez longe da droga durante muito tempo, ou até o fim da vida. Mas sempre um viciado.

Esta história do sumiço do cara e de uma possível volta aos velhos hábitos pode, talvez, não ser real. A fonte pode ter sido mal informada, e na maior boa vontade tornou pública a notícia. Mas que é bem possível, pode crer que é.

Frusciante, mesmo após limpeza, crescimento e busca da luz, é um cara obviamente auto-destrutivo. É um sujeito deprimido e que aceitaria a morte numa boa. Já disse isso em entrevistas. Talvez até lhe dê as boas-vindas. Seria uma pena, pois o cara poderia criar e criar e criar até 2070. Mas se o desejo, e uma possível fraqueza, indica outro caminho, que seja. E que fique bem.

No final, o que é fraqueza ou força? Que fique feliz, fazendo o que for, estando onde estiver.

Vai que de repente ele agora está decifrando o funcionamento de um sintetizador de 1972, de 200 quilos, pensando em correr 2 km daqui a uma hora.

Mas vai que de repente ele está azul agora, ou cinza, mas andando feliz em uma floresta que ele conhece e ama.

Tudo estaria bem.



segunda-feira, 18 de maio de 2009

Pensando em um terremoto e em linhas retas

Pouco mais de uma da manhã. Informações sobre um terremoto em Los Angeles chegam. Não me preocupo. Lembro apenas do tal Big One, que, prometem, juram, esperam, fará um dia a República da Califórnia se transformar em uma ilha. Mas esse dia nunca chega.

Esperando, hippies sequelados armazenam milhares de litros d'água. Água já velha, já podre. Pais de família republicanos constroem abrigos anti-míssil e convidam amigos de seus filhos para visitas, e, a sós, jogam videogame.

Estrelas de Hollywood se entregam a grupos pacifistas que, por meio da energia positiva, farão o terremoto futuro se transformar em uma gigantesca onda de amor. Semiestrelas do passado, com rostos de plástico, se entregam a seitas que já sabem quando o próximo cometa passará.

Penso em um balançar de prédios que não sei o que é e que nada significa para mim. Penso em tetos, que de base da segurança do habitar ("tenho um teto pra morar"), se tranformam em armadilhas. Ter seu teto sobre você e sobre sua família deve ser o mais profundo tipo de traição que um homem pode sofrer.

Penso na Falha de San Andreas e em como as linhas retas, as certezas do mundo, podem ser curvas. Penso também nos Red Hot Chili Peppers e nessa história de que John Frusciante poderia estar sumido há três semanas, vivendo dentro de uma seringa carregada de heroína.

Penso que seria estranho se Los Angeles acabasse sem eu a conhecer. Deve ser um belo lugar, cheio de palmeiras, praias, patins e pornografia.

Terremoto. Nada é imutável. O chão passeia. E a gente vai.

Foto original retirada do site
The Figure Head e remixada por mim.


quinta-feira, 14 de maio de 2009

Falsa Coral

Letra: Marcio Teixeira de Mello

Tão bonitas suas homenagens
Todos sempre, então, amaram
Supermaravilhosas imagens
Vocês sempre apresentaram

Cortam a cabeça e o coração
Seguem sempre sem razão
Seguem sempre pra ganhar
Fácil dizer que queriam que estivesse aqui ou lá

Mas, pior do que o que não há
É o que nunca esteve, então
Pior que superestimar
É fabricar uma falta de chão

Continuando a emocionar
Rolem lágrimas de urina
O resto pode viver só
Feito um rabo de uma lagartixa

O resto pode viver só
Não é o que fazem e o que agrada?
Não é o que está próximo do nada?
E não é tudo que eles querem ser, afinal?

E não é tudo que eles querem ser?

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Considerações sobre a superioridade rubro-negra, Libertadores e Bangu: 1º time a aceitar negros

Não quero precisar mais falar o que vocês irão ler abaixo. Então, por favor, leiam e aprendam algumas coisas sobre Libertadores, lendas vascaínas e a conclusão óbvia: Flamengo é Flamengo, logo maior que você, você e você.
- Se você torce para o Fluminense:

Parabéns, pois seu time eliminou o Boca de uma Libertadores. Vocês ainda venceram o São Paulo na mesma competição. Mas, no final, tomaram na final. Não irei me alongar, falando sobre divisões inferiores, viradas de mesa e afins. Passo.

- Se você torce para o Botafogo:

Parabéns, seu time teve o Garrincha. Tchau.

- Se você torce para o Vasco:

Venceu uma Libertadores batendo o River na semifinal. Oh! Parabéns! Mas River já não era potência nenhuma, né? Mas tudo bem...

Final contra o Barcelona do Equador. Ok. Final é final. Ganhou. Se bem que Libertadores nos tempos modernos é um torneio limpinho, cheiroso, hidratado, e não uma guerra bárbara como até meados dos oitenta. Não se leve tão a sério...

Mas, já que venceu, ganhou direito a disputar não um, mas DOIS MUNDIAIS DE CLUBES... É isso mesmo: com uma Libertadores, o time poderia ser bicampeão mundial. Mas Vasco é vasco, né? E, como tal, tomou no lombinho nas duas vezes.

E depois de jogar, e tomar, do Real Madrid, teve a chance de levar um título de consolação: a Interamericana. Mas levou do DC United, dos Estados Unidos. Lamentável.

- Mas aí, não podendo falar de títulos e tal, e lembrando que torce para um um clube de segunda categoria, o vascaíno se desespera e vem falar que "o Vasco tem uma linda história, pois foi o primeiro time brasileiro a aceitar negros".

Aí eu o chamo de mentiroso ou mal informado, uma vez que o Bangu foi o primeiro time brasileiro a permitir que um negro fizesse parte de sua equipe. Isso foi em 1905, e o jogador chamava-se Francisco Carregal. Mas o Vasco leva a boa fama porque o seu time que contou com negros (descendentes dos ESCRAVIZADOS pelos... PORTUGUESES que fundaram o... VASCÃO!) foi campeão em 1923. Vale lembrar que o futebol vascaíno só começou em 1915, portanto, 10 anos depois de o Bangu já contar com negros em seu time.

Leiam http://www.bangu.net/informacao/reportagens/20090417_2.php e saibam um pouco mais sobre o assunto.

Então não venham com essa de "história bonita do Vasco", pois "história bonita do Vasco" é apenas conversa pra boi dormir. Papo de derrotado, na verdade.

- Aí chega alguém com faculdades mentais altamente comprometidas e diz que a Libertadores vencida pelo Flamengo foi uma "moleza". Que o Flamengo não teve que eliminar o River! Cara, vem cada um com cada argumento ridículo... Mas nós, flamenguistas, somos pacientes. Pacientes e perseverantes.

Depois de xingá-lo, direi calmamente:

Sobre a Libertadores do Flamengo, vá ver quantos esquadrões o Flamengo teve que bater no Brasileiro de 80 para se classificar para aquela porra. Vá ver quanto sangue jorrou em gramados ermos nos confins da América do Sul, sem jogo transmitido após a novela. E vá ver quantos babacas palhaços atleticanos tiveram que ser demolidos ao longo do caminho.

E se o Cobreloa, que perdeu o título para o Flamengo em um jogo em campo neutro, após duas partidas de muita porradaria, deixou Nacional e Peñarol pelo caminho, significa que era uma equipe superior a essas. Irmãos, para ser campeão, o Flamengo teve que bater Olímpia, Cerro Porteño e Deportivo Cali, potências sulamericana na época e times extremamente tradicionais em seus países. E vocês têm idéia do que era a Colômbia e o Paraguai em 81? E a Bolívia? Ah, tá...

E se o River, verdadeira obsessão do vasco (vai ver que Freud explica... tem a coisa da faixa diagonal copiada da camisa dos argentinos... Rola, certemente, um fetiche platino aí) tombou na 1a fase da Libertadores de 81, lamento: a culpa não é do Mengão.

Mengão esse que, tempos depois, fez 3 a 0 no Liverpool e sagrou-se Campeão do Planeta Terra.

Mais alguma dúvida? Alguma questão? Parem de querer comparar seus times ao Flamengo e passem a se dedicar a outros esportes ou passatempos. Vôlei, por exemplo, é uma perfeita mistura entre esporte, passatempo e frescura. Dediquem-se ao vôlei e nos deixem curtir o nosso Olimpo, habitado por seres como os que você vê no início desse post.


Obs: Boa parte das fotos acima integram a capa do livro "Os Dez Mais do Flamengo", de Roberto Sander. As demais saíram de álbuns de figurinhas, a maioria do de 87.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Saindo da Prisão

Ela vive hoje seu último dia na prisão
E imagino as coisas boas que agora passam por sua cabeça
Penso em imagens que devem ir ao seu coração
E sei que ela certamente irá crescer

Amanhã o sol será diferente
E o sou será mais ainda
Amanhã a vida lhe sorrirá tão bonito
Que ela também sorrirá

E os dias seguintes farão carinho nela
Que acenará para cada vagalume
Livre
E brilhante
Como será o seu caminho

Amanhã ela sai da prisão
Sem grades
Visíveis
Sem ter cometido crime algum
Sem ter feito mal algum
Sendo apenas o que sou e o que todos somos
E somos um
E sai pra ser feliz

domingo, 10 de maio de 2009

Mau Jeito










Mau Jeito
Letra: Marcio Teixeira de Mello

Sol que late lá fora
E eu já estou aqui dentro de novo

Mas tudo fica bem agora
Eu sei o que é que eu ouço

Você me abre as portas
Fico de joelhos
E não sei me comportar
Me perco diante dos espelhos
E não sei

Desculpe qualquer mal entendido
Desculpe o mau jeito
Desculpe tudo de ruim que acontece
No meu peito
Não tenho controle, não

Não tem controle, não

Não posso me retratar
Queria confirmar
Mas é muito complicado
Queria estar contigo
Estar sempre do seu lado

E agora
O que pensar?

O que dizer pra você?

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Para baixar a música, assim, de graça,
clique aqui.


sexta-feira, 8 de maio de 2009

Hepático

Não sente o cheiro da ração,
do fígado regenerando-se,
da seringa sem agulha que despeja cura?

Vamos todos clarear o amarelo

Mas esqueça os dentes

Não é nada disso

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Tirar as aspas de doenças
E doenças de aspas
De vespas
De moscas
Vastas
No sangue

Asas de inseto se diluem
Já que moscas não sabem nadar

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Reafirmo o amor total
E o chute no saco do mundo real
Na real, não se inventa a doença
O problema
O sim e o não

Tudo é branco no campo de amor que todos devemos seguir

E o que não é,
dentro do animal,
que também é amor,

Será.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Tudo Está Arruinado

Dia desses achei o vídeo da fantástica "Everything's Ruined", do Faith No More. Que coisa linda. Algo justo para a melhor coisa do "Angel Dust".

Então, dia desses, a Carol, minha linda esposa e garota que saca das paradas, me recomendou dar uma conferida nessa letra do Mike Patton. Realmente nunca havia me ligado nela.

Vi, e tive que colocar aqui. Aproveitem esse momento mágico, de harmonia inicial, aparente lucro e desgraça final. E em português, estilo "Good Times 98".

Tudo Está Arruinado

Nós éramos tão felizes...
As coisas deram melhor do que havíamos planejado
Capital do garoto, mulher e homem
Nós éramos como tinta e papel
Ou números em uma calculadora

Sabíamos aritimética tão bem
Fazendo hora-extra
Nós completamos o que foi nomeado
Nós tivemos que nos multiplicar

Um pequeno bebê saltitante
Um centavo de cobre brilhante

E ele se gastou
Não nos escutaria
Mas quando ele perdeu o apetite
Ele perdeu seu peso em amigos

Ele se tornou um niquel gordo tão rápido

Então veio a puberdade
Exponencialmente
Logo, nosso menino se tornou um milhão
As pessoas o amam tanto
E ajudaram-no a crescer

Todo mundo sabia a coisa que era melhor
Claro, nós temos de investir
Um centavo não fará a menor diferença

E ele nos deixou orgulhosos
Ele nos deixou ricos
Mas como devíamos saber
Ele era falso

Agora tudo está arruinado

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E tome o vídeo

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Eu sou é Flamengo, rapá!!!



Eu sou é Flamengo, meu amigo. Sem palhaçadinha. Sem humor errado.
Sem branquitude otária e direitismo retardado.

Sou Flamengo, irmão.
Favelado, você diria.

Sim, favelados, e iremos invadir sua casa, enfiar troféus na sua geladeira e pixar suas paredes de vermelho e preto.

Faremos seus filhos se tornarem rubro-negros. Serão felizes, acredite.

Pois somos a alegria. O gol inesperado. O seu pênalti que não entra. A cobrança que não falha.

O azar que vira sorte.
O ingresso falso que funciona por mágica.

O sanduíche que não se paga.
A cerveja moralmente ofensiva à ordem.

Somos o Kléberson. Somos o Bruno. Somos o Angelim lembrando que a diminuta torcida do Botafogo não merecia nada de bom.

Afinal, o bem só pode tocar o que existe, correto?


Somos o 3, o 5 e o 31.


Somos, e desde 1895.




E por isso...



...os otários passam mal.




Flagra: os oito otários passando mal

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Bobões

Ainda procuro saber se alguém que estudou comigo no passado acabou dando sentido à sua própria vida, tornando-se prostituta, ator ou atriz pornô, traficante, gigolô, viciado, morto em overdose, transsexual, assaltante, estuprador, terrorista islâmico ou dançarino.

Mas acabo descobrindo que todo mundo virou advogado.


Aí lamento. E muito.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Gripe Suína




Quem diria que "oinc oinc" seria o som do fim do mundo, hein?




Ainda acho que isso é arma biológica do exército israelense...

domingo, 26 de abril de 2009

Dr. Juan, PhD


Juan insere medo e pensamentos suicidas na mente do adversário


Então o Maicosuel, que estava jogando pra caramba, driblando Deus e o mundo e ameaçando enormemente a defesa rubro-negra, resolveu sambar.

"Então samba, Maicosuel!"

Foi quando Juan, com sua bravura e putidão características, deu uma aula gratuita de psicologia no gramado do Maracanã. Lindo! Um gol invisível a favor do Flamengo.


"Toma, Maicosuel."

"Ouça, Maicosuel."

"Dedo na cara, Maicosuel."

"Seu nome é horrível, Maicosuel."

"Arrange uma contusão, Maicosuel,

ou levará mais, Maicosuel."


Reinaldo, ex-rubro negro, também treme. Também se machuca.
Esses caras são demais!


E o Flamengo, mesmo jogando mal, errando tudo, com Kleberson, Ibson e Emerson funcionando como verdadeiros zeros à esquerda (provavelmente guardando atuações de gala para a semana que vem), arranca um belo empate via Willians, mas contando com a bonita ajuda do "predestinado" Emerson, defensor do Botafogo.

A próxima partida será emocionante? Certamente. Tudo pode acontecer? Não, nem tudo...

Pois tudo indica que, mais uma vez, o Campeonato Carioca será concluído com bandeiras, camisas e sorrisos em vermelho e preto colorindo o planeta Terra. Que bonito é.



Dr. Juan

sábado, 25 de abril de 2009

E Deixo o Rio































**FAIXA SECRETA**


Para os leitores fiéis, uma imagem da por todos admirada Dita Von Teese.
















Mas experimente clicar na imagem. Fará uma rápida volta no tempo, tendo acesso
a uma pequena peça audiovisual, de extremo bom gosto,
que tem como estrela a moça do cartaz.

Raridade de primeira para bombar os acessos a esse blog sagaz!

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Grey Gardens


Acho que nos jardins cinza da alma de cada um
A dor é trocada por um passo
Uma dança
Uma música que nos leva além dos buracos nas paredes
Dos buracos do caminho da vida

Nos jardins cinza
Há música
E amor
E lembranças que, de gente, de tempo em tempo, viram flor

Madjunkylovehouse ou o nome que quiser
Edie Beale cruza as pernas
E no espelho, a mulher
Vê um coração brilhar
Vê um rosto de criança
Ri, e a marcha da esperança
Bem nos leva até o mar


Baixem o filme: http://thepiratebay.org/torrent/3776099/Grey_Gardens

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Coca Zero: o retrato de um vício (Parte 2 - O Ciclamato na medida certa)

Eis que o cavalo negro de cafeína e aspartame mostra os dentes.

Pois o doce falso que ilumina a boca é fruto de algo mais barato, mais sujo, mais crack que o aspartame: o Ciclamato de Sódio.

Prazer, Ciclamato. Você sempre nos deu prazer.

Mas sendo objetivo, após fazer alguns cálculos, sinto-me já pisoteado pelas ferraduras do animal Zero.

Pois a própria Coca-Cola Brasil (http://tinyurl.com/6kpllm) diz que o limite seguro para o consumo de Ciclamato de Sódio é de 11mg ao dia por cada kg de seu corpo.

Então, se peso 75 kg, posso consumir 825 mg a cada 24 horas. Ok.

O problema é que a cada 100 ml de Coca Zero, temos 84 mg do Ciclamato (fonte: http://tinyurl.com/dbvxhr). Se bebo 2 litros de Coca Zero por dia (100 x 20 = 2.000 ml), tenho 84 mg x 20 = 1680 mg por dia. Ou seja, mais do que o dobro do considerado seguro pela Coca-Cola.

Legal.

"Por favor, um câncer duplo com gelo."

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Esquece isso, rapá!!!! Deixa de ser paranóico!!!

Segundo o site da Coca (http://tinyurl.com/cgucgd), cada 100mg do místico e mágico líquido negro zero têm só 24 mg de Ciclamato de Sódio! Dá, então, para, "de forma segura", beber quase 4 litros por dia!!!!! Incríveis 3,4375 litros, para ser mais preciso.

Viva!!!!

A vida não nos daria um golpe tão duro e cruel assim, né?